Vamos continuar a conversar sobre migrações
Combater a desinformação, que leva à discriminação, ao ódio e ao racismo, para melhor compreender as diferenças e integrar na comunidade as pessoas que procuram o nosso país e concelho para aqui construir o seu projeto de vida, é o objetivo do Ciclo de Conversas sobre Migrações que o município, através do seu Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM), está a promover.
A primeira sessão, decorrida no passado dia 9 de outubro, no Auditório dos Paços do Concelho Séc. XXI, juntou migrantes, profissionais das áreas social, educativa e da saúde, estudantes e outros cidadãos que não quiseram perder a oportunidade de assistir à comunicação do Prof. Doutor João Filipe de Jesus Marques, docente da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, sobre a temática “Discriminação, Discurso de Ódio e Racismo Estrutural - Quando a diferença é vista como distância”. Através de uma abordagem histórica, João Marques explicou as origens das noções de «alteridade exterior» e «alteridade interior» que estiveram na origem do racismo moderno e conduziram a desigualdades, à segregação, discriminação e exploração de comunidades, povos e culturas, e a olhar «o outro» com desconfiança.
Antes, dois testemunhos inspiradores, de quem escolheu viver em Portugal, relataram as suas histórias e experiências pessoais, as dificuldades sentidas no processo de integração e as motivações que as levaram a superar esses obstáculos, afirmando o seu lugar de pertença a esta comunidade.
Os estereótipos, o preconceito e o medo foram referidos como o oxigénio que alimenta o ódio, a discriminação, o racismo e a xenofobia. Por isso mesmo – afirmou Sara Coelho, vereadora responsável pela Educação e pelas áreas sociais - se afigura tão necessário promover ações de informação, sensibilização e partilha, que ajudem a promover a igualdade, a cidadania e o respeito pelo outro. A autarca acrescentou, ainda, que “não há países que não tenham correntes migratórias e que Portugal, em concreto, é um país caracterizado pelas migrações, ao longo de séculos e ainda hoje”, recordando as palavras de Lídia Jorge no seu discurso do 10 de Junho de 2026, segundo as quais “por aqui ninguém tem sangue puro. A falácia da ascendência única não tem correspondência com a realidade. Cada um de nós é uma soma. Tem sangue do nativo e do migrante, do europeu e do africano, do branco e do negro e de todas as outras cores humanas. Somos descendentes do escravo e do senhor que o escravizou. Filhos do pirata e do que foi roubado. Mistura daquele que punia até à morte e do misericordioso que lhe limpava as feridas.”
Apesar de o Princípio da Igualdade estar consagrado no art.º 13 da Constituição da República Portuguesa, Sara Coelho alertou para o facto de estes direitos fundamentais estarem cada vez mais em risco, fazendo, por isso, todo o sentido a existência de políticas públicas e de instrumentos como o Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação 2021-2025, prorrogado até junho de 2027. No entanto, a autarca também incitou os participantes a “não esperarem que sejam apenas as instituições a ter este papel, dado que compete a cada um de nós fomentar o respeito pelo outro”.
A próxima sessão das Conversas sobre Migrações está agendada para o dia 20 de novembro, às 9h30, no Auditório dos Paços do Concelho Séc. XXI, e será dedicada ao tema “Desinformação e Fake News”. O formato é participativo e aberto à comunidade, destinando-se a todos os interessados em aprofundar estas temáticas. Nesta segunda sessão pretende-se estimular o pensamento crítico e a literacia mediática, sensibilizar para o impacto dos estereótipos, preconceitos e desinformação associados às migrações e contribuir para uma comunidade mais informada e inclusiva.
Paralelamente, o CLAIM disponibiliza materiais informativos e de sensibilização sobre migrações, incluindo conteúdos dedicados à desconstrução de mitos e notícias falsas.

