Clima em Mudança, Comunidades em Ação: Seminário adapt.local.25 assinala 10 anos de adaptação às alterações climáticas
O 9.º Seminário Anual da Associação adapt.local – Rede de Municípios para a Adaptação Local às Alterações Climáticas decorreu em Braga em junho. O encontro reuniu dezenas de representantes de municípios, entidades públicas, universidades e organizações da sociedade civil para refletir sobre os desafios da adaptação às alterações climáticas e o papel dos territórios na construção de comunidades mais resilientes. Lagos esteve representado pelo vice-presidente da autarquia, Paulo Jorge Reis.
A edição de 2025 foi particularmente simbólica, pois assinalou os 10 anos do lançamento do projeto ClimAdapt.Local, programa pioneiro que reconheceu, pela primeira vez, o papel fundamental dos municípios na adaptação climática. Ao longo da última década, a adaptação local afirmou-se como prioridade crescente nas políticas públicas, no ordenamento do território e na mobilização de soluções concretas à escala local, valorizando o conhecimento das vulnerabilidades e a proximidade às comunidades.
A sessão de abertura contou com a presença do anfitrião e vereador da Câmara Municipal de Braga, Altino Bessa e do presidente da direção da adapt.local e Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo.
Entre os momentos centrais do seminário destaca-se a mesa-redonda “Adaptação climática local: 10 anos depois do ClimAdapt.PT e o Futuro”, com a participação de Francisco Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Coruche, Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS), Sérgio Barroso, diretor do Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano (CEDRU) e Pedro Baptista, chefe da Divisão de Financiamento Sustentável e Adaptação da Agência para o Clima. Este painel promoveu uma reflexão sobre o percurso da adaptação climática local na última década, avaliando os avanços alcançados, as principais aprendizagens e os desafios persistentes. A discussão sublinhou a necessidade de consolidar a adaptação como pilar estratégico para a construção de territórios mais resilientes, sustentáveis e preparados para enfrentar os impactos das alterações climáticas.
O painel “Do restauro ecológico à resiliência climática dos sistemas hidrológicos” contou com os contributos de Artur Branco da Associação de Municípios Corredor do Rio Leça, de Francisco Silva Costa, da Universidade do Minho e de José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A sessão promoveu uma reflexão integrada sobre os desafios e oportunidades no restauro dos ecossistemas hídricos, destacando, por um lado, o caso concreto do Corredor do Rio Leça enquanto exemplo de restauro ecológico em meio urbano, por outro, os fundamentos científicos que sustentam estas intervenções como infraestruturas críticas para a resiliência climática, e, ainda, o papel estratégico do Estado na promoção de políticas públicas que conciliem regulação, restauro ecológico e adaptação às alterações climáticas.
Durante a tarde, João Ferrão (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), refletiu sobre a Justiça Climática, alertando para os impactos desproporcionais das alterações climáticas sobre as populações mais vulneráveis e defendendo soluções baseadas numa transição justa, ancorada numa visão socioecológica, multiescalar e intergeracional.
Durante a tarde, foi ainda apresentado pela WWF Portugal, representada por Alice Costa, o projeto LIFE ASAP – Acelerar a ação climática nas cidades com o One Planet City Challenge, que pretende apoiar as cidades no desenvolvimento e melhoria dos seus Planos de Ação Climática, promovendo o envolvimento dos cidadãos e reforçando o papel das cidades no combate às alterações climáticas, iniciativa que em Portugal envolve os municípios de Almada, Braga, Cascais, Loulé e Torres Vedras.
A sessão de encerramento contou com a presença e as intervenções de Sofia Ferreira, presidente da Mesa da Assembleia Geral da adapt.local e vereadora da Câmara Municipal de Guimarães e de Joana Veloso, diretora de Departamento de Alterações Climáticas da Agência para o Clima.
O programa terminou com uma Visita de Capacitação Técnica dedicada à Gestão de Recursos Hídricos, com visita aos setores renaturalizados do Rio Este, orientada por Pedro Teiga (E.Rio).
No dia anterior, 17 de junho, decorreu também em Braga a 9.ª Assembleia Geral da Associação adapt.local, que reuniu os seus associados – municípios, empresas, associações e instituições, do continente e das regiões autónomas. Entre os principais pontos em agenda estiveram a apresentação do ponto de situação da atividade desenvolvida e a deliberação sobre o processo eleitoral para os órgãos sociais do triénio 2026-2029.
Recorde-se que, em 2023, o Seminário decorreu em Lagos e que, no atual mandato da entidade, o município faz parte da Mesa da Assembleia Geral a par dos municípios de Guimarães e Amarante.
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