EXPOSIÇÃO “CORE CUORE”, pela CasaBranca
18 de julho a 26 de setembro | 3.ª a sábado | 10h00-18h00
Local: Centro Cultural de Lagos – Sala de Exposições 1
Org.: CM Lagos com o apoio DGArtes/RTCP
Entrada gratuita
Inauguração a 18 de julho, pelas 17h00.
A exposição Core Cuore* surge em 2026 como desdobramento da 12ª edição do Festival Verão Azul (2025), prolongando o seu impulso experimental e afirmando-se como um espaço de contaminação entre linguagens artísticas. Se o festival se apresentou como um laboratório onde as artes performativas, sonoras e plásticas convergiram para questionar o corpo nas suas dimensões política, social, urbana e pós-humana, esta exposição coletiva propõe aprofundar essas tensões no território expositivo, deslocando o foco para a experiência sensorial e emocional do espectador. Partindo da estética “corecore”, marcada pela justaposição de imagens, sons e referências aparentemente díspares, Core Cuore interroga o que está no centro — o “core” — da experiência contemporânea. Num tempo de hiperconectividade e sobre-exposição tecnológica, a exposição convoca sentimentos de alienação, nostalgia e introspeção, enquanto critica a saturação de informação e a superficialidade das interações digitais. Aqui, o fragmento torna-se linguagem e o excesso converte-se em matéria crítica.
Reunindo artistas de diferentes geografias e práticas, a exposição atravessa paisagens de imagem e som, culturas de internet e imaginários híbridos. Andy Thomas apresenta universos imersivos onde som e imagem se fundem, traduzindo vocalizações da natureza em formas visuais que oscilam entre o orgânico e o tecnológico. Jordan Stone traz uma abordagem cinematográfica marcada pela cultura digital e pela estética publicitária contemporânea, explorando novas formas de narrativa visual. Molly Soda investiga a performatividade do eu online, expondo a intimidade mediada e os códigos afetivos das redes sociais. John Rising convoca o caos e a ironia do corecore através de colagens audiovisuais que espelham a fragmentação do presente. Já Noper constrói atmosferas entre o onírico e o inquietante, onde memória, repetição e nostalgia se entrelaçam numa reflexão sobre a experiência contemporânea.
Core Cuore não oferece respostas lineares, mas antes um campo de ressonância onde o espectador é convidado a navegar entre camadas de sentido, confrontando-se com as contradições de um mundo simultaneamente hiperconectado e profundamente desconectado.
*A estética corecore emergiu sobretudo no TikTok, é frequentemente descrita como uma forma de “antiestética” digital que responde à saturação extrema de conteúdos online. Trata-se de vídeos compostos por colagens caóticas de memes, excertos de filmes, publicidade e imagens banais, criando um efeito deliberadamente fragmentado que espelha o excesso e a repetição da cultura digital contemporânea. Mais do que um estilo visual coerente, o corecore funciona como uma crítica — muitas vezes irónica ou melancólica — ao consumo contínuo de media, evocando sentimentos de alienação, confusão ou vazio associados ao estar “sempre online”. Alguns autores chegam a descrevê-lo como uma espécie de “poesia visual” ou montagem existencial, onde o caos não é apenas estético, mas também uma forma de refletir sobre a experiência emocional e política da vida mediada por plataformas.

