
Nesta iniciativa organizada pelo Conselho Municipal de Juventude de Lagos, representado por Paulo Niza, estiveram igualmente presentes o Presidente da Câmara Municipal de Lagos, Júlio Barroso, na qualidade de Presidente deste Conselho, e o vereador com o pelouro da Juventude, Jorge Serpa. Para além dos muitos jovens que não quiseram perder esta oportunidade para ouvir e debater vários assuntos respeitantes às suas vidas escolares e perspetivas para o futuro, estiveram também, na plateia, vários professores, representantes de associações culturais e recreativas de Lagos, deputados municipais e outros membros do executivo.
Júlio Barroso começou por lembrar que “ao nível das autarquias faz-se o que se pode, mas as leis e as políticas são feitas a nível nacional”. Referiu que “mais do que se perspetivar o futuro da nossa juventude, este debate serve, também, para se perceber que os nossos jovens devem saber agarrar as ferramentas do futuro, sejam os ensinamentos consolidados na escola ou as experiências transmitidas pelos professores. Os jovens devem ter consciência de que o facto de estarem mais informados, e mostrarem isso, pode contribuir, de forma decisiva, para as políticas do país”.
Depois de apresentados os resumos dos currículos dos deputados da Assembleia da República foi a vez de lançar para discussão os primeiros temas do debate: o insucesso escolar no país e as dificuldades na obtenção do primeiro emprego.

A primeira a intervir foi Cecília Honório, representante do Bloco de Esquerda, que baseou a sua alocução num estudo publicado sobre a Educação em 2010, que referia várias situações, “nomeadamente a taxa de desemprego em Portugal nos jovens licenciados com menos de 25 anos; o facto dos empresários terem menos habilitações que os seus empregados ou a política dos baixos salários, que, muitas vezes, obrigam os jovens a esconderem as suas verdadeiras habilitações literárias”. De acordo com a deputada, “o BE defende desde há muito que sejam postas em prática políticas de criação de emprego e que acabem com a precariedade”. No entanto, afirma que “para isso é também preciso que a juventude tenha consciência do verdadeiro poder que tem para poder intervir”.
O deputado Paulo Sá, do Partido Comunista Português, centrou a sua intervenção no artigo 70º da Constituição da República Portuguesa que fez questão de ler para os presentes, e que se passa a transcrever:
“1.Os jovens gozam de proteção especial para efetivação dos seus direitos económicos, sociais e culturais, nomeadamente:
a) No ensino, na formação profissional e na cultura;
b) No acesso ao primeiro emprego, no trabalho e na segurança social;
c) No acesso à habitação;
d) Na educação física e no desporto;
e) No aproveitamento dos tempos livres.
2. A política de juventude deverá ter como objetivos prioritários o desenvolvimento da personalidade dos jovens, a criação de condições para a sua efetiva integração na vida ativa, o gosto pela criação livre e o sentido de serviço à comunidade.
3. O Estado, em colaboração com as famílias, as escolas, as empresas, as organizações de moradores, as associações e fundações de fins culturais e as coletividades de cultura e recreio, fomenta e apoia as organizações juvenis na prossecução daqueles objetivos, bem como o intercâmbio internacional da juventude”.
Para Paulo Sá, “a escola devia constituir o espaço onde todas as diferenças sociais se fossem diluindo”, mas, segundo o mesmo, “infelizmente não é isso que se observa no dia a dia”.
Fazendo também menção ao facto desta ser a geração mais qualificada de sempre, não quis deixar de “enunciar alguns números que, infelizmente, se verificam, nomeadamente o facto de, nos Centros de Emprego do Algarve, estarem registados cerca de 32 mil desempregados, sendo que destes 25% são jovens com idade inferior a 25 anos”.

Concordando igualmente com a ideia de que esta é a geração melhor preparada de sempre, Artur Rego, do CDS-PP, defendeu que “a principal chave para o nosso futuro é o que se constrói todos os dias, com o que fazemos todos os dias”. Para este deputado “o erro tem sido na forma como os estudos têm sido programados em Portugal”, referindo, a propósito, que “o que é mesmo necessário é adequar o ensino às necessidades dos jovens, havendo para isso um ensino a nível regional e não apenas nacional. É desejável que os jovens possam ficar a trabalhar nas suas terras, caso assim o desejem, não tendo de se ver «obrigados» a ir para outras cidades ou mesmo para outros países para conseguir um emprego”.
Quanto à intervenção de Miguel Freitas, em representação do PS, começou da mesma forma que os colegas, afirmando que “apesar de tudo, os últimos 30 anos valeram a pena, já que os nossos jovens estão melhor preparados para o futuro”, acrescentando que, na sua opinião, “houve uma aposta ganha na educação dos jovens”. Relembrando que “não temos varinhas mágicas para resolver problemas, o importante é que façamos um esforço coletivo, uma vez que o futuro depende tanto dos políticos como da participação dos próprios jovens”. A propósito de bons exemplos falou em Lagos, “no sentido de ser um concelho com empreendimentos turísticos de qualidade”. Falando ainda da necessidade de diversificação nas áreas da cultura, do desporto e do ambiente, aproveitou ainda para dar outro exemplo de Lagos, referente à criação de empresas ligadas ao mar, designadamente a SOPROMAR”.
Cristóvão Norte, deputado do PSD, falou dos “constrangimentos trazidos pelo memorando da troika e que obrigam a que o governo se veja condicionado a moldar as ações, iniciativas e reformas estruturais que são necessárias para que o país ultrapasse esta crise. Sabemos que a longo prazo este será o melhor caminho para que a nossa juventude possa singrar e ajudar o país a ultrapassar esta crise. Quanto mais informada, mais fácil será para a sociedade se reinventar”, declarou o deputado.
Depois de conhecidas as posições dos 5 deputados, e de respondidas algumas perguntas colocadas por parte dos jovens, o autarca Júlio Barroso, terminou este debate fazendo um “apelo a que os jovens se interessem pela sua educação e formação para a vida e que todos participem , critica e responsavelmente, na vida do concelho e do país, mesmo quando se tenham diferentes visões, credos ou partidos na política, porque nessa diversidade e no respeito pelas opiniões dos outros reside o essencial da democracia”.