

A cerimónia de assinatura desta adenda, que decorreu no dia 17 nos Paços do Concelho Séc. XXI, contou com a presença do Major-General Campos Serafino, Comandante da Brigada de Reação Rápida (em representação do Chefe de Estado-Maior do Exército Português); do Diretor da Alfândega de Faro, António da Silva Maria, do Presidente da Assembleia Municipal, Paulo Morgado e do executivo municipal. Também presentes estiveram Presidentes de Junta de Freguesia, deputados municipais e técnicos da autarquia.
Recorde-se que a Câmara Municipal de Lagos assinou, a 09 de junho de 2010, um Protocolo de Colaboração com o Exército Português que prevê a cedência recíproca de imóveis situados no centro histórico da cidade, tendo em vista a prossecução dos interesses de ambas as entidades. O documento assinado na altura regulava a utilização, pelo Exército, dos 1.º e 2.º andares do edifício do antigo Posto de Informação Municipal, situado na Praça Marquês de Pombal em Lagos, para instalação de um Serviço de Informação do Exército. Em contrapartida, o Município de Lagos, ficou com o rés do chão do Prédio Militar – Casa da Guarda Principal (vulgo “Mercado de Escravos”), para instalação de um Núcleo Museológico.

A adenda que foi agora assinada passa a incluir a utilização, pelo Município de Lagos, da totalidade do edifício (rés do chão e primeiro andar), para o alargamento que se perspetiva da exposição que está patente no Mercado de Escravos, onde se procura explorar, culturalmente, a ligação de Lagos «dos Descobrimentos» à história do tráfico negreiro.
Tendo sido este espaço (1º andar) ocupado pela Alfândega, que durante 76 anos teve ali uma delegação aduaneira a funcionar, o primeiro momento desta cerimónia prendeu-se com a simbólica entrega de chaves do 1º piso deste edifício, feita pelo diretor da Alfândega de Faro, ao Exército Português, que, por sua vez, as entregou ao Município de Lagos.
Campos Serafino, Major-General do Exército foi o primeiro a mostrar-se “convicto de que o Exército e o Município ficarão a lucrar com este Protocolo de Colaboração e respetiva adenda agora assinada ”.
A propósito da sua vinda ao Algarve neste dia, o Major-General referiu que acompanhou um grupo de militares que estiveram cerca de um mês na região e que “daqui levam as melhores impressões”. A terminar lembrou, a propósito da utilização deste edifício, que “esta também é uma das importantes vertentes da missão do Exército”, ou seja, “exercer a cidadania, possibilitando neste caso concreto, a proteção do património que servirá toda a comunidade”.
Júlio Barroso, presidente da Câmara Municipal de Lagos começou por relembrar que “Lagos sempre foi uma cidade militar”, dando como exemplo os vários monumentos que existem no concelho a comprová-lo, nomeadamente as muralhas, a Igreja de Stº. António ou o Forte Ponta da Bandeira.
Relembrando que “o Mercado de Escravos é, em termos históricos, possivelmente o edifício mais famoso de Lagos, sendo que está historicamente associado ao tráfico de escravos”, afirmou que este passo dado em conjunto com o Exército, relativo à utilização do 1º piso “é mais um exemplo de colaboração no sentido de melhor defender os interesses para as duas partes, acabando por representar uma parceria entre entidades para o bem público de uma comunidade”.
Referindo-se a esta cerimónia como simples, mas muito simbólica, o autarca mostrou-se convicto de que “este acordo representará uma mais valia tanto para Lagos, como para o país”.
A este propósito ainda fez alusão à candidatura que o Município de Lagos apresentou, em parceria com a UNESCO, no sentido de serem viabilizadas as obras de restauro no 1º piso, com o futuro alargamento e valorização da exposição dedicada à Arqueologia dos Descobrimentos.