
Avenidas Cristóvão Colombo e Fernão de Magalhães, no Alto do Porto de Mós, em 20 de Maio de 2006.
No ano em que se celebrou o quinto centenário da morte de Cristóvão Colombo, a Câmara Municipal de Lagos não quis deixar de assinalar esta efeméride, pois embora tenha navegado ao serviço de Espanha, o célebre navegador genovês passou a maior parte da sua vida em Portugal e aqui fez a sua formação técnica. Em 1485 propôs a D. João II um projecto de atingir a Índia navegando para ocidente e, perante a recusa do monarca português, foi apresentar o seu projecto a Espanha, onde granjeou o apoio dos Reis Católicos. Em 1492, navegando para ocidente das Canárias atingiu, após um mês de navegação, um conjunto de ilhas mais tarde designadas Bahamas, Haiti e Cuba. Voltou à Península Ibérica convencido de que teria atingido a Ásia. Nos anos seguintes efectuou novas viagens para ocidente, explorando vastas regiões litorais do continente que pouco depois viria a ser conhecido como América. A biografia de Cristóvão Colombo continua a ser objecto de debate entre os especialistas, contudo, é unanimemente reconhecido que foi ele o descobridor do Novo Mundo, um continente imenso que anteriormente era desconhecido e as suas viagens tiveram consequências extraordinárias no processo de globalização que então se iniciava.

Outro navegador que fez história foi o português Fernão de Magalhães, responsável pela a primeira viagem de circum-navegação. Fidalgo de segunda linha, embarcou para a Índia em 1505, em busca de fortuna. De regresso a Portugal, solicitou a el-Rei Dom Manuel I recompensa pelos seus serviços, mas o monarca indeferiu o pedido, com base em alegadas irregularidades. Algo despeitado foi oferecer os seus serviços à coroa espanhola, propondo atingir as Ilhas das Especiarias seguindo uma rota ocidental. No fundo, tratava-se de retomar o projecto de Cristóvão Colombo, mas agora com conhecimentos geográficos e hidrográficos mais rigorosos. O projecto foi aceite pelos reis de Espanha e em 1519 rumou à América do Sul. Depois de costear litoral americano, encontrou a passagem meridional que ainda hoje tem o seu nome, Estreito de Magalhães, a qual permitia a ligação com o Pacífico e viabilizava o seu projecto. Após uma longa e dura travessia, a frota magalhãnica atingiu o actual arquipélago das Filipinas, tornando realidade o sonho de uma rota ocidental para o Oriente. Mas o capitão português não chegaria a completar a viagem pois seria morto em Abril de 1521. O trajecto até Espanha seria finalizado sob o comando do espanhol Sebastian de Elcano, mas a primeira viagem de circum-navegação ficou definitivamente ligada ao nome do português Fernão de Magalhães, por isso valerá a pena relembrá-lo na Lagos dos Descobrimentos.
Rua Carlos Dias dos Vales, Rua Dr. Francisco Vito de Mendonça Corte-Real, Rua Dr. Joaquim do Sacramento Pagarete, Rua Dr. José Francisco Tello Queiroz, Rua José Victor Adragão, Rua Coronel Cardeira da Silva, em 4 de Novembro de 2006.

Rua Carlos Dias dos Vales
Carlos Dias dos Vales nasceu em Vila do Bispo em 31 de Março de 1928. Aos catorze anos de idade iniciou a sua vida de trabalhador agrícola, mas um acidente limitar-lhe-ia as capacidades para os trabalhos pesados do campo. É nessa altura que desenvolve o gosto pela leitura e começa a trabalhar na Secção de Finanças de Vila do Bispo, sendo mais tarde transferido para Lagos.
A morte de colaborador dos primeiros tempos de criação e desenvolvimento do Museu Regional de Lagos deixara o Dr. José Formosinho sem ninguém capaz de o ajudar. Amigos comuns indicam este rapaz para o ajudar. Foi assim que, em 1 de Maio de 1956, começou a trabalhar no então Museu Regional de Lagos o criador e dinamizador das visitas guiadas do Museu, que várias gerações de alunos recordam com carinho, tendo dado a sua missão por terminada em 1987, ano em que se aposentou.
A morte do “Sr. Carlos do Museu”, em 04 de Fevereiro de 1991, deixou Lagos, as suas gentes e a cultura mais pobres.

Rua Dr. Francisco Vito Mendonça Corte-Real
Francisco Vito de Mendonça Corte-Real nasceu em Lagos, em 9 de Abril de 1876. Estudou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa onde se formou obtendo a mais alta classificação do curso.
Exerceu Medicina com grande paixão e publicou vários estudos.
Fundou, juntamente com José Maria Martinho, o jornal O Porvir, do qual apenas se sabe que foram publicados dois números por volta de 1893 e que era composto e impresso na tipografia O Lacobrigense na antiga Rua da Amargura, actual Rua Gil Vicente. Sem data precisa do seu início e da sua suspensão, o jornal tinha um carácter literário e não possuía qualquer inspiração politico-partidária.
Faleceu no dia 30 de Abril de 1943 na sua casa da Quinta da Porta da Vila, em Lagos.

Rua Dr. Joaquim do Sacramento Pagarete
Joaquim do Sacramento Pagarete nasceu a 6 de Maio de 1905, em Lagos. Aos 10 anos de idade foi estudar para Lisboa e em 1919 foi convidado a representar o Sport Lisboa e Benfica, na categoria de iniciados. No ano de 1921 passou a estudar em Faro, tendo nesse período sido jogador do Sport Lisboa e Faro. Em 1923 volta a estudar em Lisboa no Instituto Superior de Comércio e em 1924 sagrou-se campeão universitário ao serviço da sua escola, numa equipa que integrava, entre outros, o Raul Horta e Ribeiro dos Reis.
Em 1926 regressou a Lagos e, juntamente com alguns amigos, resolveu pedir a reintegração do desactivado Sport Lisboa e Lagos como filial do S.L.B, passando a representar o S.L.L. como jogador. Ajudou ainda a fundar a Associação Naval Lacobrigense, que deixou de funcionar, mas em 1950 reapareceu com o nome de Clube de Vela de Lagos, do qual foi sócio-fundador.
Em 1928 licenciou-se, pelo Instituto Superior de Comércio, em Ciências Diplomáticas e Aduaneiras. Entre 1929 e 1931 dedicou-se ao ensino, leccionando em Silves, Lagos e Viana do Castelo. Em 1933 começou a trabalhar na Alfândega, no Funchal e em 1934 foi colocado na Delegação de Lagos onde se manteve até atingir o limite de idade em 5 de Maio de 1975.
Faleceu em 4 de Maio de 2001.

Rua Dr. José Francisco Tello Queiroz
José Francisco Tello Queiroz nasceu em Lagos, em 7 de Julho de 1908 e, depois de concluir os estudos primários e secundários, seguiu os estudos Universitários formando-se em História e Filosóficas.
Apaixonado pela sua terra e defensor acérrimo da História e Cultura Lacobrigense é, ainda hoje, uma referência na sociedade algarvia, defendendo os valores do Património através da sua participação em inúmeros Congressos do Algarve. Nestes Congressos apresentou vários estudos sobre o Património de Lagos e o seu estado de conservação. Palestrante e comunicador sublime, pertenceu a inúmeras Associações Culturais locais e regionais. Como Professor leccionou em Escolas de Lagos e Silves.
Foi agraciado com a Medalha de Mérito Municipal “Grau Ouro” da cidade de Lagos.
Viria a falecer em Oeiras, no dia 27 de Dezembro de 2003, aos 95 anos.

Rua José Victor Adragão
José Victor Adragão nasceu em Lagos a 20 de Abril de 1892.
Trabalhou como contabilista em duas fábricas de conservas de peixe, vindo a ser, mais tarde, sócio de uma delas e integrou o grupo de Lacobrigenses que, em 20 de Setembro de 1912, fundou o Clube de Futebol Esperança de Lagos. No início dos anos 20, foi vereador da Câmara Municipal de Lagos e trabalhava como ajudante de contador no Tribunal Judicial. Simultaneamente, tirou o curso de Solicitador.
Entre 1930 e 1934, foi chefe de secretaria judicial em Ourique. De 1934 a 1957, viveu em Vila Real de Santo António, onde foi escrivão e chefe de secretaria no Tribunal Judicial e, já nos anos 40, presidente da Câmara Municipal ao longo de 6 anos.
Durante a 2.ª Guerra Mundial apadrinhou a Associação de Apoio aos Soldados Franceses Feridos em Combate, razão por que veio a ser posteriormente louvado pelo representante do governo francês.
Entre 1942 e 1957, foi gerente da firma “Pilotos & Cappa” e em 1953 exerceu novo mandato como Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, por um período de 4 anos. Regressou a Lagos em 1957 e, em 1959, fixou residência no Barreiro onde viria a falecer dois anos mais tarde, em 24 de Abril de 1961.

Rua Coronel Cardeira da Silva
Joaquim Francisco Rijo Cardeira da Silva nasceu em Lagos a 4 de Dezembro de 1920.
Filho, sobrinho e neto de oficiais do Exército, prosseguiu as tradições militares da família no Colégio Militar, onde foram também educados os seus filhos. Prestou serviço em Lagos, nos Açores, Faro e Évora. Em 1960 foi destacado para o então Estado Português da Índia em Goa, regressando em 1962 após seis meses de cerco pelas forças da União Indiana. Comandou ainda o Regimento de Infantaria de Abrantes e o Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria, em Tavira, no intervalo entre duas comissões de serviço em Angola. De volta a Portugal foi destacado para Comandar do Corpo de Alunos do Colégio Militar. Terminou a carreira na Academia Militar em 1976, desempenhando o cargo de Presidente do Conselho Administrativo.
Em Lagos, foi Presidente do Núcleo da Liga dos Combatentes e dedicou-se a diversas actividades de natureza cultural e a temas de natureza histórica ligados à sua longa experiência pessoal de contacto com diversos povos e culturas. Faleceu em 21 de Janeiro de 1999.