Freguesia de São Sebastião

sao sebastiao

1. LENDAS TIPÍCAS


Na Cidade de Lagos o mês de Maio, especialmente o seu primeiro dia, era considerado aziago. Os seus naturais designavam este mês por “o mês que passou” ou por “o mês que há-de vir”. A origem desta designação remonta a muito antes de 1580, uma vez que cerca de 1600 Henrique Sarrão fixou a sua razão, que ouviu aos muitos antigos: Há muito era costume festejar-se na Cidade o primeiro dia de Maio “vestindo um estrangeiro com os mais ricos vestidos, que lhe podiam achar, e todo coberto d’ ouro, de muitas jóias, cadeas, braceletes, anéis e peças de muita valia, que lhe cosiam por cima dos vestidos, o  faziam cavalgar no melhor cavalo, e todos com suas trunfas na cabeça, adargas nos braços e suas lanças, andavam com ele por toda a Cidade, e adiante dele iam homens, tangendo em frautas, e muitas mulheres cantavam e dançavam, e diziam todos: Viva o nosso Maio”.

Tudo correu bem até ao ano em que:

“E tendo feito Maio a um estrangeiro, ornado e posto a cavalo, e dizendo-lhe, fora da cidade, que corresse, apertou as pernas ao cavalo e fugiu com todas as jóias e peças ricas da terra em Maio, e, por causa daquele homem, lhe chamaram mês, que não devera, em memória da grande perda, que tiveram”.

“A Cidade e o termo de Lagos no Período dos Reis Filipes pag. 375”


 2. PATRIMÓNIO


Igreja de S.Sebastião II

Construção de linhas simples, a sua porta principal de mármore branco e em estilo renascença, possui duas colunas dóricas “assentos em plintos decorados com motivos florais de fino lavor”. Encimadas por pináculos, as quais ladeiam o arco redondo “de volta inteira, assente sobre pilastras jónicas”. Na fachada Sul existe outra porta do mesmo estilo, mas de duas pilastras lavradas. São estreitas e molduradas e encontram-se encimadas por capitéis “em que a parte superior, das volutas, está totalmente destacada da parte inferior, dos acantos e que sustentam uma alta arquitrave decorada com cabeças de anjos.
O Bispo Dom João de Melo mandou construir a capela-mor em 1467, mas em 1586 o corpo principal desta Igreja ainda não se encontrava concluído.
Templo de três naves sobre quatro colunatas dóricas e cinco tranos, o seu interior foi revestido de belos azulejos coloridos.
De entre outras, existe uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, que segundo a tradição, sem razão aparente, deu á costa dentro de um caixão.
Do seu recheio faz parte um tosco crucifixo de madeira, que, segundo memória oral, acompanhou os Portugueses a Alcácer-Quibir.

“A Cidade e o termo de Lagos no Período dos Reis Filipes pag. 386”

Igreja de S.Sebastião I (outra informação)

Erigida no local onde em 1463 foi concluída uma Ermida sob a invocação da Nossa Senhora da Conceição, em 1490 D. João II mandou edificar esta Igreja e mudou-lhe o orago para S.Sebastião. Da Ermida resta um vestígio: o póstico lateral da Igreja, em estilo Renascença, o qual foi a sua porta principal.

“A Cidade e o termo de Lagos no Período dos Reis Filipes pag. 329”

Igreja de S.Sebastião III (outra informação)

No século XIV era uma Ermida consagrada a Nossa Senhora da Conceição. No ano de 1463 foi transformada em Igreja e dedicada a S.Sebastião.

Proporções harmoniosas e sóbrias, portais Renascentistas (Séc. XV), azulejos dos Séculos XVII e XVIII.

Imagem da nossa Senhora da Glória com 2,10m de altura, proveniente de um navio naufragado (Séc. XVIII). Crucifixo de madeira tosca, associada á Batalha de Alcácer-Quibir. Interessante mobiliário, parâmetros e alfaias sacras. Capela dos ossos anexa.

Documento “Câmara Municipal de Lagos” (pontos de interesse)

Ponte Dª. Maria

Provável origem Romana. Teve obras de beneficiação em 1618 e pelo terramoto de 1755 ficou arruinada.
No ano de 1796 foram consolidadas as suas estruturas e foi inaugurada com uma lápide comemorativa.
Em 1805 foi novamente destruída tendo havido obras de melhoramento em 1807. Em 1960 teve um novo tabuleiro.

Estação dos Caminhos de Ferro

Construído em 1924 este imóvel constituí um belo exemplar da arquitectura pública dos anos 20.

Câmara Municipal de Lagos

Edifício onde funcionam os Paços do Concelho da autarquia. Edificado em 1798 sofreu obras de beneficiação em 1805 e em 1884 arde o seu Arquivo Municipal. Em 1987 teve obras de conservação e remodelação.

Ermida de S. João Baptista

Origem medieval (possivelmente Séc. VIII e IX), sofreu restauros nos Séculos XVII e XVIII. Curioso exemplo de arquitectura rural. Templo religioso de grande actividade nos fins do Século XV. Capela-Mor oitava. Talha Dourada.
Danificada pelo sismo de 1755, foi reconstruída em 1805 tendo sofrido obras de conservação em 1985 e em 1993/4.

Estatuária

Estátua a D. Sebastião – Localizado na Praça Gil Eanes, esta escultura da autoria de João Cutileiro foi designada por José Augusto França como um dos mais belos exemplares de escultura ao Sul do Tejo. Inaugurada em 1973, esta escultura é alusiva a D. Sebastião e à sua personalidade.

Ermida de Nossa Senhora dos Aflitos


Tanques de S. João


 3. DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO


3.1 Sectores

A)Sector Primário (Agricultura e Pescas)

•A agricultura tem visto a sua expressão reduzir-se ainda que da potencialidade agrícola existente alguma dela será de carácter familiar.

• Pesca Artesanal – Não deixa de ser, em si mesma, um factor de cultura e, como tal, um motivo de interesse para os mais curiosos. E tem uma componente familiar de ligação ao mar que importa preservar.
 
B)Sector Secundário
• Construção e reparação de barcos

• Construção civil é uma das mais importantes actividades desenvolvidas.

C)Sector Terciário

• A área do comércio tem um peso significativo na economia da Freguesia .

• A diversidade e beleza da paisagem campestre e a existência de belíssimas praias, alia-se aos monumentos que atestam uma história de oito séculos.
Esta realidade tem levado  a que o Turismo constitua uma das maiores fontes económicas .


 4. DESENVOLVIMENTO E TURISMO


4.1 Associações

A)Culturais

• Academia de Música de Lagos
Esta Academia foi criada em 1986, passando a dispôr dois anos mais tarde de uma escola de música, leccionando cursos de Iniciação Musical, Educação Musical, Violoncelo, Clarinete, Cravo, Violino, Guitarra e diversos tipos de Flautas.

4.4 Polos de Atracção


B)Praias
• Meia Praia – José Afonso cantou, em 1975, os pescadores desta aldeia e Cunha Teles fez um filme sobre os “Índios da Meia Praia”.
 É um extenso e tranquilo areal, apresentando zonas com equipamento de apoio para a prática de Vela, Esqui Aquático, Windsurf e Vela.

C) Outros

• Marina de Lagos – A travessia de uma ponte levadiça permite o acesso às esplanadas e aos Cafés da Marina tão frequentados pelos apreciadores do sol.

• Da Avenida , ao longo da Ribeira de Bensafrim , poderá admirar os antigos barcos de pesca e, até fazer um passeio à maravilhosa Costa D’Oiro , a bordo destes.


 5. TRADIÇÕES


5.1 Festas e Romarias

• Festas da Arte Doce (sempre na última Sexta-Feira, Sábado e Domingo do mês   de Julho)
- Organização Câmara Municipal de Lagos.
- Local (Mercado do Levante e envolvente).
- Componentes: Doçaria, vinhos Regionais, frutos secos.

• Festas de Verão
-Animação de rua durante a época estival, nos seguintes locais:
Rua Filarmónica 1º de Maio (Coreto).
Praça Luís de Camões.
Mercado de Santo Amaro.
Auditório Municipal.
Av. dos Descobrimentos junto ao Palácio da Justiça.

• Festa da Cidade a 27 de Outubro

• Procissão da Nossa Senhora dos Aflitos.

• Festa Religiosa na Igreja do Sargaçal.

5.2 Feiras

• Feira Franca de 20, 21 e 22 de Novembro
-Organização: Câmara Municipal de Lagos
-Local: Parque Desportivo e Zona de Feira
-Componentes: Artigos diversos (Vestuário, calçado, Bijuterias e vários divertimentos)

• Mercado Mensal que se realiza no primeiro Sábado de cada mês.
-Local: Recinto da Feira

5.3 Danças e Cantares


 6. GASTRONOMIA


6.1 Pratos Típicos

Existe uma variedade considerável de pratos tradicionais tais como favas com morcela, os carapaus alimados (charros), sopa de peixe, papas de xerém, cataplana de marisco, feijoada de buzinas (búzios), feijoada de polvo, arroz de peixe, lulas cheias, caldeirada, caldo verde, lulas e chocos com tinta,  entre outros, sendo contudo a sardinha assada um prato a merecer destaque.

FAVAS COM MORCELA E TOUCINHO
Segundo um estudo feito pela D. Maria de Lurdes Modesto , é um prato tipicamente Lacobrigense , do qual damos a conhecer a respectiva confecção :
Cozem-se as favas em água com sal e rama de alho , escorrendo –as no fim . Numa frigideira frita-se , na própria gordura , o toucinho cortado em fatias finas e rodelas de morcela , escorrendo-se a mesma sobre as favas . Quando o toucinho se encontrar “torriscado” , mistura-se com as favas e leva-se a lume brando ,salteando-as . Servem-se como refeição ou a acompanhar o peixe frito .


Curiosidade
As caldeiradas um prato tão usual e apreciado hoje em dia, nem sempre foi de fácil confecção.
Há alguns anos atrás, quando a água era um bem ainda mais precioso do que hoje, os pescadores utilizavam os recursos que tinham à mão.
Como tal, este prato era feito apenas com os ingredientes normais e um fio de azeite, mas sem água. O sabor era excelente, mas a sua confecção assentava em motivos de escassez de um bem essencial.


6.2 Tradição Vinícola

Vinho Fino – MOSCATEL DA ADEGA COOPERATIVA DE LAGOS

6.3 Doçaria Tradicional

A doçaria regional é muito rica, (tendo a maior parte dela, origem árabe) feita com amêndoas e ovos, em especial destaque para os morgados com caprichosas decorações, os D. Rodrigos envoltos em pratas coloridas, os bolos de doce fino (de amêndoa) que reproduzem miniaturas de frutos, animais e flores e os doces de amêndoa e figo com formas variadas .

DOCE D. RODRIGO
Terá sido criado em Lagos , espalhando-se rapidamente por todo o Algarve .
A sua preparação / confecção não é complicada pelo que passamos a descrevê-la :
-10 Gemas de Ovos para os fios de Ovos
-250 gr. de açúcar
-125 gr de amêndoa
-canela
-6 gemas de ovos
Estes ingredientes dão para preparar 18 Dons Rodrigos .
Depois de confeccionados os fios de ovos , juntam-se- lhes a amêndoa pelada e ralada e o creme preparado com os 6 ovos .
Quando tudo estiver misturado adiciona-se o açúcar caramelizado . Por fim , passam-se por açúcar e canela , e embrulham-se em papel de prata colorido.
Para melhor se conservarem enrolam-se as pontas do papel de prata para que o Dom Rodrigo fique hermeticamente fechado.

MERENGE

• Para cada clara, uma colher de sopa de açúcar branco

Batem-se as claras em castelo bem firme.
Depois, a pouco e pouco, vai-se deitando sobre elas açúcar, sem deixar de bater sempre para o mesmo lado. Está pronto quando, provando-se até não se sentir grãos de açúcar. Pode deitar-se sobre forminhas de papel pragueado e levar-se ao forno, entre dois a três minutos, a tomar consistência. Pode ainda deitar-se às colheres sobre um tabuleiro, colocando em cada montinho uma cereja cristalizada, cobrindo-a de novo ou barrar-se com eles bolos de entremeio.


 7. ARTESANATO

Réplicas em madeira à escala , de antigos barcos de pesca Lacobrigenses . Trabalhos em palma e cestaria

Área: 19,055 km2
Habitantes: 11030 (em 2001)
Alojamentos: 7093 (em 2001)
Freguesia predominantemente urbana

Contacto: Junta de Freguesia de S.Sebastião
Rua das Juntas de Freguesia, 12 r/c 8600-706 LAGOS
Telefone: 282 763 827   Telefax: 282 764 637

Presidente: Joaquim Pedro Parreira da Cruz

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