Freguesia da Luz

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Luz, freguesia do concelho de Lagos, distrito de Faro, abrangendo uma área de 2205 hectares, está situada no extremo sudoeste do concelho, confrontando a sul com o mar, a norte com a freguesia de Barão de São João, a este com as freguesias de Santa Maria e São Sebastião e a oeste com a freguesia de Budens, esta última pertencente ao concelho de Vila do Bispo. A freguesia da Luz é composta por três povoações - Luz, Espiche e Almadena — e diversos lugares.

Em termos de relevo, assinalamos os Montinhos da Luz, com 99 metros e os Montinhos do Burgau, com 68 metros.

Quanto aos seus cursos de água, na Luz encontramos a Ribeira do Vale de Barão, a Ribeira de Almadena, a Ribeira de Espiche e a Ribeira da Luz, correndo de norte para sul.

Sobre a fundação da povoação existem documentos que indicam o ano de 1673. No entanto, as suas origens remontam a épocas muito antigas, como o comprova a construção da fortaleza. A sua origem está relacionada com a forte presença de pescadores no litoral barlaventino, nomeadamente quando o surto piscatório se fez sentir após a montagem de arrrais de armações de pesca nos séculos XV e XVI. Na época existiam três armações para a pesca da sardinha, nas quais trabalhavam cerca de 90 homens.

Na Idade Média a freguesia da Luz era designada por Nossa Senhora da Luz. Recentemente, o nome Praia da Luz tornou-se comum. Esta última denominação está associada à grande afluência de banhistas, iniciada em 1928, durante a segunda metade do século XX, com o consequente desabrochar do turismo. Por via da tradição oral institucionalizou-se o topónimo. Por outro lado, a concentração de pescadores e seus haveres na praia dotou a povoação da denominação que ainda hoje se conserva na esfera cultural-mental da população Luzense e até dos turistas que nos visitam. Quanto à denominação “Nossa Senhora da Luz”, esta está relacionada com o espaço medieval e, como o próprio nome indica, com um Santo, o qual na sua hagiografia medieval possuía uma caracterização histórica associada à vivência quotidiana dos habitantes da Luz. Nesse espaço temporal vive-se e move-se em função das directrizes da Igreja. Mais, está-se predestinado a servir os desígnios de Deus sobre pena de excomunhão. Assim, Nossa Senhora da Luz torna-se o Santo Padroeiro da freguesia e os pescadores actuam em função das directrizes emanadas pelo personagem do baixo clero, designado pelo Bispado do Reino do Algarve. Mas podemos perguntar, porquê Nossa Senhora da Luz? Porque não outro Santo? A procura das razões para a escolha não é possível de averiguar, mas o significado etimológico da denominação do santo Padroeiro, esse sim, podemos associá-lo à Virgem Maria e ao seu culto, desde a Idade Média.

Concluindo estas explicações, o topónimo deve ser fixado em Luz, em função da ancestralidade institucionalizada no tecido sócio-económico da povoação. E foi o desenvolvimento desta povoação que deu origem à freguesia com o mesmo nome.

No princípio do século XVIII, a freguesia da Luz foi desanexada da freguesia de Santa Maria, tornando-se independente. Hoje constitui um dos pólos mais importantes no desenvolvimento sócio-económico de toda a circunscrição geo-económica da sociedade Lacobrigense.

O Lugar, a Aldeia de pescadores conhecerá ao longo da sua história momentos de desenvolvimento sócio-económico, cujo sentido de orientação sócio-político é sinónimo de angariação de riqueza e de colmatar eventuais bolsas de desenraizamento provocadas pelo hermetismo sócio-económico de uma povoação em momentos de crise.

D. Manuel I, através do foral de 1 de Junho de 1504, dá a conhecer aos Lacobrigenses e a todo o Reino do Algarve a quantidade de capturas de pescado que se fazia na altura. Embora sem designar as espécies, podemos constatar as eventuais pescarias que se faziam na costa Lacobrigense, nomeadamente na zona da Praia da Luz: desde tempos antiquíssimos que se fazia a pesca do atum e da sardinha. Junto à praia existiriam três fábricas. Uma delas, construída em 1884, servia para preparar conserva de peixe em azeite e as outras, construídas posteriormente, procediam à salga da sardinha. Na época, estas fábricas davam trabalho a 100 trabalhadores, dos quais 60 eram mulheres. Mais tarde, foi construída uma outra fábrica, em Espiche, da qual ainda hoje restam ruínas.

A época dos Descobrimentos é o motor para o desenvolvimento da povoação em toda a sua plenitude. Nos séculos XIII e XIV existem notícias do seu desenvolvimento piscatório, incrementando-se a pesca da baleia no século XVI.

Como a maior parte das localidades litorais, também a Luz esteve exposta aos ataques dos piratas vindos do Norte de África, onde a prática do corso e a angariação de produtos de subsistência e outros actos de pirataria estavam inscritos nas práticas quotidianas dos povos do litoral marroquino. Segundo alguns historiadores, a povoação da Luz era frequentemente atacada pelos Mouros, que infestavam as águas do litoral algarvio, não poupando sequer as imagens dos Santos Padroeiros que estavam no interior das Igrejas. Segundo o cura Vicente Benevides a imagem de Nossa Senhora da Luz foi cativa dos mouros. El-Rei, tendo-a resgatado, enviara a imagem de Nossa Senhora para a Igreja e mandara construir uma fortaleza, a fim de evitar que os mouros tomassem novamente a imagem de Nossa Senhora da Luz. Dentro da Fortaleza, a torre de vigia foi mandada construir no ano de 1624 e a muralha que circundava a igreja era devida ao capitão general do reino do Algarve, Conde de Pontével.

Na opinião dos historiadores Estácio da Veiga e José da Encarnação, existem vestígios arqueológicos que comprovam a existência da freguesia há vários milénios. Por aqui passaram diversos povos e culturas.

Nos finais do século XIX foram encontradas várias Antas que provavelmente existiam sobre o solo, assim como túmulos com galerias, do período Neolítico, no lugar do Serro Grande. Foram ainda encontrados instrumentos neolíticos, artefactos da Idade de Ferro e um Machado de Pedra, na povoação de Espiche. A existência de artefactos humanos é uma constante, pois com a proximidade do mar, muitos povos se sedentarizam nesta zona do concelho de Lagos, mostrando haver condições de permanência para a vivência de homens e mulheres de vários milénios passados. A existência de concheiros é um dos testemunhos dessa presença humana.
A civilização romana deixou-nos um Balneário Romano que se encontra na periferia da freguesia e que constitui um dos mais importantes achados arqueológicos da contemporaneidade lacobrigense. Após o declínio da “Pax Romana”, o Algarve fica ameaçado pela vinda de povos de origem marroquina. Os árabes serão o povo que se apoderará desta região. Este povo legou-nos as árvores de fruto, tão genuinamente marroquinas. Com o domínio dos mouros sobre o Algarve, os autóctones assimilam a cultura deste outro povo, transformando a região numa grande potência económica. Com a conquista e reconquista cristãs, os mouros são expulsos do Algarve. O cristianismo é institucionalizado e são construídas igrejas.
Relativamente à actividade económica da freguesia, a povoação da Luz, como região integrante da economia de Lagos, apresentava características tipicamente piscatórias e rurais. Na Idade Média, o Algarve era detentor de uma economia aberta e largamente comercial, mas será no século XVI que as suas produções, compostas principalmente de figos, azeite, vinho, passas de uvas, etc., terão maior procura no mercado. A freguesia da Luz possuía uma grande fonte de riqueza: os figos. A sua exportação torna-se de tal modo importante, que passam a integrar os denominados “doces finos”. O trigo e a cevada eram cultivados na periferia da sede da freguesia. Outra actividade que não podemos esquecer é a captura do pescado. Com a implantação da Indústria Conserveira a freguesia, no primeiro período do século XX, conhecerá melhores fontes de riqueza. Outro factor económico de grande importância está relacionado com o turismo, baseado nas suas praias, bem próximas da cidade de Lagos.

Em termos demográficos, a antiga freguesia da Luz, apresentava um número reduzido de habitantes. O século XVIII apresenta-se pobre em números de fogos existentes, devido ao terramoto de 1755 e dos seus efeitos devastadores. O desenvolvimento demográfico da Luz só se inicia na segunda metade do século XIX. Os censos de 1893 indicam a existência de 1712 habitantes.

No processo urbanístico desta freguesia do litoral lacobrigense existiram várias modificações. É frequente encontrar na freguesia fachadas com incrustações Manuelinas, assim como elementos de arquitectura rural antiga com beirais à antiga portuguesa. Podemos encontrar diversas estruturas habitacionais integradas no chamado “estilo chão” nacional, tipologia que se mantém até finais do século XVIII. Na primeira metade do século XIX aparecem habitações de cunho marcadamente oitocentista, associadas ao aparecimento de um “neo-barroco” algarvio de origem local. Podemos ainda encontrar habitações dos pescadores, bem como habitações de um só piso coberto de telha de duas águas, típicas desta zona luzense.

Actualmente, ainda se encontra algum do seu rusticismo de outrora que se integra no desenvolvimento turístico, bem presente na fisionomia geográfica da sua sede de freguesia.
Com o advento do Poder Local e a sua descentralização ao nível das sedes da freguesia, os habitantes da freguesia da Luz conhecem uma melhoria nas condições de vida. Passa-se, pois, de uma mentalidade ostracizada, para uma participação de todos no encontro de vontades para a melhoria do seu quotidiano.

No limiar do século XXI, a freguesia da Luz é uma povoação enquadrada numa sociedade cada vez mais europeia, que a distancia cada vez mais da povoação da Nossa Senhora da Luz da época dos Descobrimentos. Se nesse espaço histórico estava na vanguarda dos grandes acontecimentos nacionais, no momento presente possui estruturas vectorizadas para ser uma das Vilas do Algarve, com maior prestígio Nacional e Internacional. Possui uma bela praia enquadrada em rochedos dirigidos para sul, acompanhando toda a zona rochosa denominada por Costa de Oiro. Com uma vegetação harmoniosa, enquadrada na ruralidade da freguesia, impele o visitante para a sua sedentarização nestas paragens. As armações acabaram, dando origem a outros barcos de pesca. As vozes dos pescadores foram-se extinguindo na Praia, juntamente com esses outros barcos, dando origem a barcos de recreio, pertencentes aos turistas que nos visitam. Ao longo do extenso areal da praia, estendem-se os turistas que visitam a freguesia todo o ano, em busca de sol e descanso e todo um arsenal de haveres que só tem a ver com o lazer. Acabaram as fábricas de conserva de peixe e em seu lugar apareceram escolas de mergulho e windsurf, assim como discotecas, restaurantes, unidades de turismo e outros estabelecimentos similares. O casino fechou, passou por Escola Primária e hoje é a ampla sede da Junta de Freguesia e Centro de Saúde.

Desapareceram parte dos extensos campos de cultivo e em seu lugar encontram-se aldeamentos turísticos e outro casario a perder de vista, chegando mesmo a encontrar-se alguns erros arquitectónicos, provenientes de um arquitecto distraído ou de um construtor ganancioso, mas sempre de um branco imaculado.

Os pescadores de outrora são actualmente empregados da indústria hoteleira; os conserveiros, os soldadores e os agricultores são trabalhadores da construção civil. Foi assim institucionalizado um outro modo de vida nesta povoação do litoral algarvio: o turismo.
Com um crescimento cada vez mais acelerado, não nos é possível antever até que ponto a sua caracterização se manterá.

Ao longo dos séculos, a freguesia da Luz foi caracterizada como uma povoação de índole piscatória/ eclesiástica, com uma vertente defensiva, simbolizada pelas suas fortalezas. Será com a interligação campo-cidade, ou seja, ruralidade e urbanismo, que a freguesia da Luz deve perspectivar o seu futuro.

Para trás fica uma história de séculos, descrita no seu Brasão, autêntico Bilhete de Identidade da povoação que, desde o dia 6 de Setembro de 1997, mostra orgulhosamente ao seu povo, participante directo no seu desenvolvimento e a quem nos visita, a sua origem.

Área: 22,783 km2
Habitantes: 3068 (em 2001)
Alojamentos: 3462 (em 2001)
Freguesia mediamente urbana

Contacto: Junta de Freguesia da Luz
Rua de 25 de Abril, 35   8600-174 LUZ LGS
Telefone: 282 789 722   Telefax: 282 789 722

Presidente: Pedro Manuel Santa Rita Figueiredo Magalhães

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